A VOLTA DO CRAQUE LUIZ ARRUDA
Naquele dia, 28.04.1991, eu estava no campo da Associação Atlética Alumínio, acompanhando a equipe do Veteraníssimo do CASM, dirigido pelo Tide e pelo Milton Sêco, que disputaria uma partida amistosa contra a equipe aluminense.
No dia seguinte, escrevi uma crônica, tentando reproduzir algo que tinha acontecido, envolvendo a participação do atleta LUIZ ARRUDA que já estava há quase 10 anos afastado de um campo de futebol e os pedidos dos amigos, insistentes, pareciam não sensibilizá-lo, dando a impressão que nunca mais voltaria a encantar a torcida com seu futebol bonito, mistura de raça e da arte que o levou, um dia, a ser um profissional.
A magia aconteceu naquele dia que menciono acima, quando o artista voltou ao seu palco, um campo de futebol. O clima, já no vestiário, faltando poucos minutos para subirem ao gramado, se transformou, quando o craque Luiz Arruda surgiu inesperadamente, com um par de chuteiras nas mãos, perguntando se tinha lugar para brincar um pouco. Os olhos dos técnicos, Tide e Milton Sêco, parecerem brilhar ainda mais e ambos pareciam se transformar em crianças felizes, com os velhos amigos, eternos companheiros de façanhas memoráveis, elegendo uma posição para ele na equipe imediatamente.
No início do jogo, após alongamentos feitos dentro do vestiário e na escada que dava acesso ao campo, Luiz Arruda mostrava que não havia perdido a classe e a arte. Com passadas compassadas, dedos indicando a melhor colocação para os companheiros, sorriso de quem estava feliz, elegante, foi entrando no ritmo do jogo, acompanhando a velocidade das jogadas, fazendo subir a adrenalina, competindo, dando carrinhos, cabeceando, fazendo lançamentos, atendo faltas, arremessos laterais, escanteios, enfim, dando show.
De repente acontece uma falta na intermediária do gol adversário. O coração palpitando, o jogo, apesar de amistoso, nervoso, a torcida silenciosa, o goleiro preocupado, os adversários temerosos e num gesto unânime entre os companheiros, alguém pega a bola e a entrega nas mãos do craque, dizendo “ tome, bate, que a bola é sua”!.
Mais uma vez o artista não deixou escapar a oportunidade de reverenciar a torcida e mostrou como se trata uma bola com respeito. Respirando fundo, deu um ligeiro toque na bola que, também encantada, faz sua trajetória mansamente até alojar-se no canto superior direito do gol. Abraços, euforia, satisfação estampada no rosto. Tinha valido a pena!
Era ainda o início do segundo tempo! Já cansado, parecendo criança dono da bola, pediu para continuar como se o jogo fosse para disputar algum título e por mais ou menos vinte minutos continuou encantando a plateia com sua arte e talento.
Inesperadamente, como arco íris em dia de chuva, fez um gesto ao treinador, pedindo substituição, saindo pela lateral do campo com a camisa nas mãos, o rosto feliz, sendo ovacionado por toda a torcida presente e cumprimentado até mesmo pelos adversários, também amigos.
Naquele dia, 28.04.1991, o craque Luiz Arruda voltou a pisar num gramado e com ele o futebol ficou novamente mas bonito!
Pelica
texto da foto:
Luiz Arruda, Milton Sêco, Bico
