ATLETICANO, COM MUITO ORGULHO

Dia de jogo começava na época, à noite, quando, dormindo, nos tornávamos super-atletas! Como zagueiros, estávamos sempre nos antecipando às jogadas, matando a bola no meio da pequena área e saindo com ela dominada; fazendo, da nossa intermediária o lançamento para o centro avante que, pegando a defesa adversária distraída, marcaria o gol da vitória. Como atacantes sempre sonhávamos com o gol perfeito, após o chapéu no beque adversário e o arremate de primeira, com a bola entrando no ângulo.

Domingo de jogo era um domingo especial! Era o dia em que nossos sonhos transformavam-se em realidade, quando, saindo de casa, caminhando pelas ruas em direção ao campo, éramos tratados como heróis, tal o respeito e admiração que a população tinha pelo ATLÉTICO, o chamado Fantasma da Sorocabana. Na época do futebol romântico, éramos nós, atleticanos, os arautos da felicidade de uma população que invariavelmente lotava as arquibancadas para vibrar pelos seus atletas, uma realidade que hoje é mais difícil de perceber porque o orgulho de ser um mairinquense torcedor do ATLÉTICO parece ter ido embora juntamente com os paralelepípedos da cidade.

Tapinha nas costas, saudações efusivas dos amigos e familiares, inveja por parte daqueles que defendiam outras equipes, somada a felicidade especial de representar, mais que um clube, também uma cidade, associavam-se, já no vestiário de madeira, ao cheiro da cânfora, do álcool, do óleo para massagem, do suor, e transformavam, aos poucos, aquele cidadão anônimo em herói, poeta, artista plástico, músico, enfim, em um artista da bola, elemento central de um espetáculo com duração de noventa minutos, mas responsável pelos sentimentos, sentidos e emoções que perdurariam por toda uma vida.

Quem vestiu a camisa do ATLÉTICO sabia muito bem que o paraíso existia e que ele tinha seu perímetro delimitado por arquibancadas velhas de madeira, chuteiras compradas pelo próprio dinheiro, bancos velhos onde mãos firmes, negras como do Claro, cuidavam da musculatura de centenas de atletas, paralelamente ao trabalho dos dirigentes, amadores incríveis, mas profissionais exemplares na arte da boa vontade, que faziam do CLUBE ATLÉTICO SOROCABANA DE MAIRINQUE um complemento de suas casas, tal o número de horas que dedicavam à tarefa de administrá-lo.

Passaram-se os anos e ficou a constatação de que, como o CASM ainda estamos vivos, orgulhosos de termos sido, um dia, atletas, dirigentes ou torcedores deste Clube que, se hoje tem um patrimônio impressionante, tem como alma as histórias de seus jogadores, seus atletas, seus dirigentes. Se na época em que vestimos a camisa éramos orgulhosos, hoje poderemos repetir novamente, seja individualmente, seja em conjunto com outros associados, que o CASM tem sobrevivido porque sua alma, que somos nós, foi modelada com sentimentos, paixão e muito amor. Cada um de nós, não importa o momento, tem sua parcela de importância na história do CLUBE ATLÉTICO SOROCABANA DE MAIRINQUE porque o CASM nada mais é que a alma de cada um de nós, ATLETICANOS, com muito orgulho!

Pelica/março 2000

Legenda da foto:

Jogo: Clube Atlético Sorocabana de Mairinque 1

Clube Atlético Ipauçuense ……………… 0

Data: 01.02.1959 – 3ª Divisão

Edu, Toninho, Edson, Carlito, Gouveia, Clóvis, Nito

Titico, Luiz Arruda, Zeca, Ary, Jair, Gambeta