Entrevista com Oscar Angelini – Presidente Interino, Técnico e Preparador Físico do CASM

Nascimento: 02/11/1944, Sorocaba/SP
Carreira no CASM: Presidente interino (1972), técnico de futebol, preparador físico, dirigente esportivo e atleta


a) Quando começou sua vida esportiva?

Oscar:
“Iniciei no futebol na equipe infantil do CASM, treinado pelo Raul Sodré, com quem joguei também no juvenil. Naquele time atuavam o Ico, Paulo Ribas, Vadão Bigorê, Patinho, Elias (filho do Raul Sodré) e o Monteiro, nosso goleiro.”


b) É verdade que vocês faziam limonada para sustentar o time?

Oscar:
“Sim. A diretoria do CASM não tinha dinheiro para manter as equipes, então fazíamos limonada e outros sucos. Aos domingos, durante os jogos, percorríamos as arquibancadas vendendo sucos e salgadinhos para arrecadar recursos e comprar os uniformes.”


c) E quando você optou pelo basquete?

Oscar:
“Enquanto jogava futebol, acompanhava o pessoal do basquete na quadra existente onde hoje está a sede social do CASM. Fui me interessando e passei a frequentar alguns treinos.”


d) Você foi presidente do CASM?

Oscar:
“Sim. Fui presidente da Sociedade Recreativa Mairinque e também presidente interino do CASM, quando o Conselho Deliberativo afastou o então presidente e criou uma comissão para administrar o Clube. Fui eleito presidente interino por essa comissão e ocupei o cargo por mais de um ano. Nesse período, fizemos uma reestruturação administrativa, recadastrando todos os associados. Como resultado, tenho a carteira número 01; Gibeira, a número 02; e Pelica, a número 03.”


e) Além de dirigente, você também foi técnico de futebol do CASM?

Oscar:
“Sim, fui técnico por um período. Jogadores como o Titão estiveram sob meu comando. Também atuei como preparador físico e coordenei o trabalho de adubação do gramado, dividindo o campo em áreas quadriculadas para aplicar o processo.”


f) Fale sobre o Projeto Vlamir Marques que você implantou na cidade.

Oscar:
“O projeto foi fantástico, e um grande mérito na sua realização foi do Gibeira (Wilson Aquiles Ressutti). Na época, eu dirigia a Comissão Municipal de Esportes e, junto com o presidente da Confederação Brasileira de Basquete, José Cláudio dos Reis, apresentamos o projeto Vlamir Marques, que recebeu aprovação imediata, inclusive do próprio Vlamir, a quem entregamos cópia do projeto.”


g) O projeto visava o futuro, certo?

Oscar:
“Sim. Como professor de educação física há quase 30 anos, sempre entendi a importância de planejamento. O objetivo do Projeto Vlamir Marques era formar atletas e, paralelamente, trouxemos para Mairinque uma etapa do Campeonato Brasileiro de Basquete, proporcionando que a população acompanhasse jogos da Pirelli (masculino) e Minercal (feminino).”


h) Nessa época vieram grandes jogadores para Mairinque?

Oscar:
“Sim. Trouxemos, por exemplo, Marquinhos e Hortência. Contratamos a Benedita, ex-jogadora da Seleção Feminina, para dirigir o time feminino. Após o campeonato, o Carioquinha ministrou uma oficina de basquete para 300 crianças inscritas no projeto, mostrando que o planejamento do Vlamir Marques era viável.”


i) Quando trouxeram a equipe do Continental para Mairinque, o projeto já existia?

Oscar:
“Sim. Com cerca de 300 crianças inscritas, trouxemos a equipe do Continental, de Osasco, para disputar o campeonato usando o nome do CASM. O técnico era Ennio Vecchi, com o auxiliar Guilherme, e jogadores iniciantes como Sandro Varejão, que mais tarde integrariam a Seleção Brasileira. Essa experiência permitiu que nossos atletas locais se aprimorassem, treinando com profissionais e melhorando o nível do basquete em Mairinque.”


j) Você acredita que fez a coisa certa na hora certa?

Oscar:
“Sem dúvida. Organização e planejamento foram fundamentais. A presença da equipe Continental possibilitou que nossos atletas locais ganhassem experiência e espaço no esporte, ao mesmo tempo em que o nome de Mairinque se projetava nacionalmente.”


k) Essa relação entre o Continental e o CASM foi benéfica para a cidade?

Oscar:
“Com certeza. Ao disputar a primeira divisão de Mairinque sob o nome do CASM, conseguimos projetar a cidade e incentivar centenas de crianças a praticar basquete. Esse registro deve ser sempre destacado na história do CASM, que chegou a ter dois astros da Seleção Brasileira defendendo suas cores.”


Obs.: Parte desta entrevista foi publicada no livro “Vivendo e Aprendendo”, editado pelo Centro de Documentação e Memória Mairinquense, março/2004.