ÓZIO LUIZ CHELLES ( JABURU)

Jaburu – Ózio Luiz Chelles, ex-presidente do CASM

Nascimento: 24/11/1944, Bauru/SP
Atuação: Presidente do CASM em 2007/2008, diretor, promotor de eventos sociais, colaborador ativo na sede e nas competições do clube


a) Como foi a sua aproximação com o CASM?

Jaburu:
“Um dia, passando em frente à antiga sede, ouvi um grande barulho no salão. A porta estava semi-aberta e notei que o Zé Pompiani e outros diretores reformavam o palco. Ele me convidou a entrar, explicou o trabalho e eu comecei a ajudá-los. Desde então colaborei com a diretoria, demolindo o antigo poleiro, reformando o forro e refazendo o palco, que era metade madeira e metade cimento.”


b) Nunca mais se afastou do CASM?

Jaburu:
“Talvez uns quatro ou cinco anos afastado, mas praticamente trabalhei com a maioria dos presidentes.”


c) Você foi diretor na fase áurea do CASM, como promotor de eventos sociais

Jaburu:
“Época boa mesmo, com cinco bailes anuais: Carnaval, Primavera, Namorados, Aniversário da cidade e Réveillon. Em janeiro já contratávamos conjuntos e orquestras, e todas as mesas para o ano já estavam vendidas. Trouxemos orquestras como Huguinho de Amparo, Nélson e Leopoldo de Tupã, Cassino de Sevilha e Continental de Jaú.”


d) Como era a organização desses bailes?

Jaburu:
“Fácil organizar, pois a venda das mesas ficava com o Ildefonso Ciaramello ou o Silvio Benedito de Campos. Com os gráficos em mãos, entravam em contato com compradores, incluindo famílias de São Roque. O retorno sempre foi excelente e raramente tínhamos prejuízo.”


e) Você fala que era fácil, mas dava muito trabalho

Jaburu:
“Claro, fácil era a venda das mesas, porque o público aguardava ansioso. Mas nós, diretores, lavávamos o salão, trabalhávamos como garçons e cuidávamos do serviço de bar.”


f) Cite alguns nomes das pessoas que trabalhavam nessa época

Jaburu:
“Trabalhei com várias diretorias. Um grupo constante era Toscano, Silvio, Otello Rocchi, Orlando Sanches, Ildefonso e Zé Pompiani, com seu pai, Braz Pompiani, que fez de tudo, inclusive sendo porteiro.”


g) O Otello que você cita era responsável pelos lanches servidos nos bailes?

Jaburu:
“Exatamente. Ele e sua esposa, Jacira, preparavam os lanches: Jacira os hambúrgueres em casa, Otello os lanches de pernil. Havia um bar específico para atendimento às mesas.”


h) Além dos diretores abnegados, quem você gostaria de mencionar como grandes benfeitores do CASM?

Jaburu:
“Cito Luiz Zaparolli, Romeu Guazzelli e o casal Jesus e Iolanda. Luiz fornecia bebidas quando o clube não tinha dinheiro, Romeu custeava despesas de viagem das equipes, e Jesus e Iolanda viabilizaram a construção das piscinas do clube.”


i) Você acompanhou o CASM na terceira divisão de profissionais?

Jaburu:
“Sim, fiz parte da diretoria presidida pelo João Chesini. Uma história do Amador: antes da final da Copa LS no Parque São Jorge, jogamos em Itu. Nosso goleiro, Lu, se machucou e o Teco foi para o gol. A partida terminou empatada e foi para pênaltis. O Teco defendeu uma cobrança e depois marcou o gol que classificou o CASM.”


j) Nesse jogo da final, houve participação curiosa do prefeito Arganauto Ortolani

Jaburu:
“Procuramos o prefeito solicitando ajuda financeira para transporte. Ele negou, dizendo que seria mais barato comprar uma página em jornal da capital para promover a cidade.”


k) Fale da compra do salão social na rua Dr. Júlio Prestes, antiga sede do CASM

Jaburu:
“Ficávamos na porta do clube aguardando pessoas da Sorocabana. Um dia, Waldemar Pereira nos mostrou documentos que a Prefeitura negociava a venda do prédio da Sorocabana para um estacionamento do hotel. Começamos a nos organizar para reverter a situação.”


l) Que fria!

Jaburu:
“Imagine a indignação! Fizemos viagens à capital e reuniões com dirigentes da Ferrovia. Conseguimos conversar com alguém de decisão próxima ao Autódromo de Interlagos, que nos deu prioridade para aquisição do imóvel.”


m) Mas como pagar se o clube não tinha dinheiro em caixa?

Jaburu:
“A proposta da Sorocabana era pagamento à vista, mas Wilson Ressuti negociou parcelamento em 48 vezes. A primeira parcela precisou ser paga imediatamente e conseguimos um empréstimo pessoal para quitar, iniciando a compra da sede, hoje alugada para uma igreja evangélica.”


n) Saíram então do sufoco?

Jaburu:
“Não, logo depois havia risco de perder o campo, que fazia parte do Horto Florestal adquirido pela Prefeitura. O prefeito queria remover o campo, chegando a enviar máquinas para demolir alambrados.”


o) Qual foi o desfecho?

Jaburu:
“Waldemar Pereira, vereador na época, apresentou um projeto de lei doando a área do campo para o CASM. Com a promulgação da lei, tornamo-nos proprietários de toda a área da sede social atual.”


Resumo: Jaburu teve papel central como presidente, diretor e organizador de eventos sociais. Colaborou diretamente na manutenção e expansão do CASM, ajudou na compra da sede e na preservação do campo de futebol, além de acompanhar equipes amadoras e profissionais do clube.