UM TESOURO ATLETICANO

Na antiga sede social do CASM, onde hoje está uma igreja evangélica, ficava a chamada Sala da Diretoria, ornamentada com inúmeras fotografias e uma quantidade imensa de troféus e taças conquistadas ao longo dos anos.

Eu frequentei aquele local e estando nele ficava maravilhado admirando aquela exposição de relíquias, principalmente olhando para as antigas fotografias que retratavam uma época onde parecia ser normal os jogadores sendo fotografados deitados no gramado na foto oficial, chamando também a atenção para os diversos tipos de gorros que utilizavam sobre as cabeças.

Aquilo sempre foi o verdadeiro tesouro para um Clube que praticamente não tinha outro patrimônio a não ser a conquista de seus atletas.

Construiu-se então a nova sede social e na transferência dos móveis, utensílios e instalações para o novo local, a última coisa a ser retirada foram justamente aquelas taças, aqueles troféus e as antigas fotografias que decoravam a sala da diretoria. Muito provavelmente por não ter sido previsto um local específico para a guarda daquele tesouro, optou-se por guardá-lo num ambiente atípico, ou seja, todo aquele material foi depositado num espaço sob a piscina recém construída.

E ali, durante muito tempo, o tesouro foi caindo no esquecimento, acumulando poeira e detritos normais de ambientes inóspitos, despreparados para a guarda de uma riqueza como aquela. Mais do que cair no esquecimento, os associados e frequentadores da nova sede social acabaram sendo privados do conhecimento visual da verdadeira história da Entidade.

Foi quando a Maria Cândida Bertolini e eu, apresentamos para a Diretoria, entre 1997 e 1998 uma proposta para a recuperação daquele acervo, para a qual contamos com a eficiente participação do ex-funcionário, Sérgio, mais conhecido como Mé, que então fazia a retirada, daquele espaço sob a piscina, das taças e troféus e ia nos entregando, quando então, pacientemente íamos recuperando-as.

Nós três, Maria Cândida, o Mé e eu, sempre acompanhados de frascos de um produto químico chamado KAOL passamos muitas horas, em vários meses, dedicando voluntariamente uma parte do nosso tempo para ter, nas mãos, peça a peça, da qual íamos retirando a poeira e demais traços de abandono, para fazê-las reluzir novamente com o seu brilho natural.

Eu tenho consciência do meu empenho em recuperar e recordar aspectos da cultura mairinquense e conhecendo a Maria Cândida sei que ela também é consciente sobre o papel que sempre representou na comunidade local, abraçando e incentivando todos os tipos de arte, mas cada vez que adentro o recinto da sede social, ao passar defronte daqueles tesouros expostos, sinto-me recompensado por ter podido, mais que fazer brilhar uma ou outra taça, ou troféu, ter dado vida a símbolos de conquistas coletivas de heróis na época em que representavam, também em nome do Atlético, a cidade em que viviam – anônimos que continuam de alguma forma vivos naquele espaço.

É evidente que reconheço que hoje o Clube Atlético Sorocabana de Mairinque é proprietário de um patrimônio material riquíssimo, mas sendo portador da carteira de associado número 03, ainda olho para aquelas fotos, aquelas taças, aqueles troféus, com o mesmo sentimento de quando comecei a frequentar a antiga sala da diretoria, quando tinha entre 14 ou 15 anos de idade.

Hoje, com a criação do Memorial do CASM, vinte e oito anos depois daquele episódio onde fizemos a restauração dos troféus e taças, novamente nos encontramos, a Maria Cândida e Eu, cooperando com a Diretoria e transformando aquele Tesouro novamente em algo vistoso, charmoso, bonito, lindo, como sempre foi a história do Atlético, o “ Fantasma da Sorocabana”.

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