VAI ZAGUE, PEGA QUE É SUA!

Eu estava acompanhando a delegação do Atlético naquela viagem feita de trem ao município de Itararé para enfrentar a equipe local. Durante todo o trajeto se falava bastante sobre o quanto aquela equipe era conceituada e ninguém se arriscava a dar algum palpite sobre o resultado da partida. Era evidente, porém, que havia algum tipo de preocupação pois a notícia que tinham era que o time anfitrião estava invicto há muito tempo.

Ao chegar ao Estádio ficou evidente também que a torcida presente, que lotava todas as arquibancadas, estava satisfeita com a campanha invicta do principal clube da cidade. O goleiro do CASM na época era o Zague, que morava em Osasco, e o beque central da nossa equipe era o Vandão Bigorê, dois nomes que cito para que se tenha uma dimensão do que busco registrar nessa crônica. O lateral direito era o meu cunhado, Serginho, que ainda no primeiro tempo foi expulso por ter cometido uma falta no principal jogador da equipe adversária, um jovem cabeludo, ídolo da torcida, extremamente exibicionista, que inclusive teve que ser substituído em decorrência da falta sofrida.

Aquilo acirrou ainda mais o ânimo da torcida e o jogo passou a ser mais disputado, apesar da sua característica de ser uma partida amistosa. No intervalo do primeiro para o segundo tempo os jogadores do Atlético já se mostravam satisfeitos com o empate, inclusive pelo fato de estarem jogando com um atleta a menos e quando começa a segunda etapa o jogo vai se tornando mais acirrado, continuando assim ainda até por volta dos quarenta minutos finais quando o empate já estava sendo comemorado pelos atletas e pelos poucos dirigentes que faziam parte da comitiva, entre os quais estavam o Wilson Patinho e eu.

Próximo da intermediária do Atlético, no finalzinho do jogo acontece uma falta a favor da equipe mairinquense, momento em que, no mundo esportivo, seria comum fazer um pouco de cera e atrasar a cobrança para ganhar tempo e quem sabe garantir aquele resultado de empate, o que seria extremamente satisfatório.

Nosso beque central, o Vandão Bigorê, ajeita então a bola e atendendo aos pedidos de outros jogadores, faz a devolução dela para o goleiro, o Zague, mas o que ninguém esperava era a força com que ele faria essa devolução, dando um chute tão forte que colocou a bola no ângulo do nosso goleiro, garantindo a vitória da equipe anfitriã que dessa forma continuou invicta.

Atônitos, nossos jogadores não acreditavam no que tinha acontecido e durante a viagem toda, na volta à Mairinque, o que mais se ouviu, na tentativa de mudar o clima, foi a brincadeira feita pelo Zague, tentando imitar a expressão proferida pelo Vandão na hora do chute fatal: “ Vai, Zague, pegue que é sua”!.

pelica