OS SENHORES DA ARQUIBANCADA

Para quem não acompanha muito o mundo do futebol, fica até difícil entender as reações daquele torcedor que vibra e sofre durante os 90 minutos da partida e possuem rituais a seguir em dias de jogo. Alguns são mais contidos, mas outros chegam até a exagerar, principalmente quando elegem o árbitro como adversário que está ali simplesmente para prejudicar o clube pelo qual torcem.

Acompanhando uma partida de futebol é possível acompanhar as sensações dos torcedores, quase todos com os nervos à flor da pele, alguns gritando, outros chorando, outros xingando, ainda mais quando é o adversário que faz um gol.

É comum também acompanhar reportagens mostrando a rotina de torcedores que fazem loucuras de colocar nome de jogadores em seus filhos, que faltam ao trabalho para assistir uma partida, que tatuam os símbolos do clube no corpo.

No acompanhamento da vida esportiva do Clube Atlético Sorocabana de Mairinque, encontraremos uma realidade hoje praticamente desconhecida: o tradicional torcedor do Fantasma da Sorocabana nunca se referiu ao Clube chamando-o de CASM, porque o tricolor nunca deixou de ser o Atlético. Fosse nas arquibancadas ainda de madeira, ou naquela cimentada que foi derrubada quando da construção das piscinas, a presença do José Mendes, pai do Tibagi, acompanhado da esposa, era sagrada. Como os filhos, Tibagi e Nido dentro do gramado, seu vivenciava aquela adrenalina como se fosse um próprio jogador. E fora do ambiente das arquibancadas, o casal também vivia e respirava o Atlético, mantendo inclusive uma relação amistosa com vários atletas que chegaram inclusive a residirem com eles na sua própria residência, tratados como filhos.

Outro desses senhores da arquibancada era o José Toscano! Também diretor do CASM por vários anos seguidos, ocupando vários cargos nas diretorias, a imagem dele, como torcedor, sentado no cimento da arquibancada, em meio à torcida, com o radinho de pilha nas mãos “viralizou” como se diz atualmente – e até hoje, quando se comenta sobre aquela fase do Atlético, todos se referem a imagem icônica daquele palmeirense fanático, torcendo pelo time da casa mas com os ouvidos voltados para a transmissão dos jogos do Palmeiras.

Como os dois torcedores citados, não se pode esquecer do italiano naturalizado brasileiro, Otello Rocchi, figura central nos grandes bailes realizados pelo Clube, onde, junto com a esposa, se responsabilizava pela confecção e venda dos sanduíches. Foi diretor do Clube também por muitos anos seguidos e sua paixão pelo Atlético era tão grande que, mesmo depois de ter mudado sua residência para Sorocaba, nunca deixou de frequentar alguma quadra ou campo de futebol naquela cidade, onde a equipe tricolor mairinquense se apresentava. Foram incontáveis as vezes em que, a equipe do Atlético, do CASM, do Águias Negras, do Bié, fosse qual fosse o nome, jogando em Sorocaba se preparava para o jogo tendo certeza de que, na torcida, estaria aquele italiano, muitas vezes sozinho, incentivando a equipe com as palavras em italiano que costumava utilizar. Ecco”, uma palavra em italiano que também carrega uma conotação cultural e literária significativa, tornando-a símbolo de continuidade e reflexão; “ Lascia Stare”, traduzida para “ faz isso por mim” e “andiamo avanti”, quer dizer, “ vamos em frente”.

As arquibancadas já não contam mais com eles, mas a lembrança deles ainda continua viva entre nós, atleticanos., Ecco!

pelica