PEQUENAS HISTÓRIAS DE UM CASM MUITO GRANDE
1. Numa época em que a equipe de futebol de salão foi se fortalecendo e com a necessidade de colocar todos os jogadores em atividade, a diretoria resolveu formar duas equipes: o CASM “A” e o CASM “B”. Num torneio realizado na Quadra do Altina, um dos times, que era a equipe “B” comandada pelo Jaburu chegou à final jogando contra o time principal, no caso a equipe “A”, vencendo pelo placar de 4×1 levando o troféu de campeão. ( contada pelo Faraó).
2. O Júlio Capitão era o presidente e o Olvídio Zaparolli, diretor social. Numa terça feira à noite, em Sorocaba, participando de uma reunião preparatória de um campeonato em que o CASM participaria, eles ficaram conhecendo um empresário da Orquestra Casino de Sevilha. Conversa vai, conversa bem, o Júlio perguntou sobre o preço da orquestra e da possibilidade dela apresentar-se em Mairinque. O empresário estava no local acertando detalhes sobre o Baile que seria realizado naquele clube no sábado seguinte ( esse encontro estava acontecendo numa terça-feira, repito) e o Júlio, entusiasmado, consultou o mesmo sobre a possibilidade de realizar um baile na sexta-feira, ou seja, três dias depois, argumentando que não precisaria pagar as despesas de locomoção e hospedagem da Orquestra.
Chegando em Mairinque, já à noite, Júlio convocou uma sessão extraordinária para a noite do dia seguinte. Expôs sua ideia de realizar o baile dois dias depois, a diretoria titubeou e o Júlio, confiante, argumentou que se houvesse prejuízo ele cobriria a dívida. A diretoria resolveu fazer o baile e por telefone mesmo confirmaram o fato aquele empresário. Nessa época os bailes eram realizados no recinto da Festa do Pêssego, onde cabiam 120 mesas. Não havia como fazer divulgação porque o baile seria na sexta-feira e o jornal O Democrata circulava aos sábados. Havia apenas quatro cartazes que o empresário havia emprestado e a venda das mesas começou a ser feita ainda naquela reunião, por telefone.
Foi montado um verdadeiro mutirão, com diretores telefonando para os amigos, outros procurando pessoas dispostas a ajudar na arrumação do salão. Chegou a sexta-feira e quando o Baile iniciou havia apenas 30 mesas vendidas, mas o povo foi chegando, muita gente vindo de Ibiúna, de São Roque, mesmo de Sorocaba e até da capital, que, ao terminar, todas as mesas já estavam vendidas e o resultado foi um belo lucro. ( contada pelo Ildefonso Ciaramello).
3. Num dia de jogo, com a equipe dirigida pelo Iran Zaparolli,fui escolhido para recepcionar o Juizna Estação. O trem chegou, percebi uma pessoa com uma mala na mão e aproximei-me perguntando se por acaso ele era um árbitro de futebol. Com a sua negativa, de forma atenciosa, fiquei a espera da partida do trem para descobrir se havia mais alguém que pudesse ser o representante da Federação. Como não notei mais ninguém voltei para o campo e informei o Iran do ocorrido, explicando que provavelmente o juiz chegaria de outra forma. Quando faltava menos de vinte minutos, alguém se apresenta como o árbitro e vejo que era aquela pessoa com quem havia conversado na estação. Perguntei-lhe porque havia negado e ele então me informou que este era um procedimento de praxe para evitar possíveis pressões, tanto do time da casa quando do visitante. Quando ele já estava no vestiário, trocando de roupas, pedi permissão, entrei e expliquei que o nosso time precisaria vencer de qualquer maneira. Ele mais uma vez se desculpou, disse que não aceitava nada, que o resultado tinha que ser definido no campo, quando o Iran, entrando na sala p, à sua maneira, diz que o jogo estava para ser iniciado e queria saber o que eu e o árbitro tínhamos acertado. O juiz, calmo, abaixou-se, abriu a mala que trazia, sacou um revolver e disse: já falei que o resultado tem que ser decidido em campo! Pediu então para sairmos do vestiário, checou o policiamento, o jogo iniciou normalmente e terminou com a derrota do nosso time. ( contada pelo Ózio Luiz Chelles, o Jaburu)
4. Essa história é muito boa, da qual participou também o Juca de Oliveira. Para comemorar um aniversário do CASM nós realizamos um Baile a Rigor, na sede onde hoje funciona aquela igreja evangélica. Naquele dia eu estava trabalhando na portaria do Clube, quando vi chegar ao salão o Juca de Oliveira, na época fazendo um sucesso tremendo na televisão com a novela Nino, o Italianinho, acompanhado do Pedro Natal. Como os dois não estavam trajando roupa a rigor, impedi a entrada de ambos, com o Juca entendendo a situação mas o Pedro insistia para deixá-lo entrar, dizendo que eu poderia abrir uma exceção porque era o Juca que estava ali. Cumpri o regulamento, não deixando eles entrarem, com trajes esportivos, onde todos estavam a rigor ( contada pelo Oscar Angelini).
5. A gente jogava no time do Bié, que passava a noção de ser também uma pessoa ranzinza, e um dia, durante um treino, ele nos informou que iríamos jogar fora da cidade no domingo e que era para trazermos as autorizações de nossos pais pois a viagem seria feita de trem. No domingo estávamos todos na estação, sem conduto saber o destino final. Entramos no trem, no sentido Capital, e qual não foi a nossa surpresa quanto, ao chegar na Estação do Marmeleiro tivemos que descer porque o tão aguardado jogo que ele tinha arrumado era contra o MAC, Marmeleiro Atlético Clube. Foi tão engraçado e nunca vi o Bié dar tanta risada como naquele dia, segurando as inúmeras sacolas com camisas, meias, chuteiras, lanches, etc, coisa bastante conhecida para quem conviveu com ele. ( contada por Carlos Alberto Valente Filho, o Valente).
6. O Titão queria jogar em nosso time, mas havia um grupo contrário à sua entrada na equipe. Ele insistiu muito e então fiz um convite para que acompanhasse a delegação até Quitaúna, onde jogaríamos contra uma equipe daquela localidade num campo existente dentro de um dos quartéis ali existentes. No início do segundo tempo chamei ele, que estava no banco, e fiz uma substituição colocando-o na partida, até que, passados alguns minutos ele começou a discutir com o Bima, um dos nossos atletas titulares. Não tive dúvidas, chamei o juiz na margem do campo e pedi para ele expulsar o Titão. Deve ter sido um caso raro no futebol, de um técnico pedir a expulsão do seu próprio atleta, mas eu precisava mostrar autoridade e o Titão acabou compreendendo meu gesto, tanto é continuamos amigos e posso garantir que há muitos anos ele tem sido uma pessoa importante junto às várias diretorias que o clube tem tido nesses anos todos ( contada por Raul Sodré, técnico da equipe).
7. Numa matéria publicada no Jornal Folha de Mairinque, em 27/10/1994 sob o título “ Um pouco da história do nosso futebol”, eu escrevia, com o sub-título “ Um dia houve um jogo que o Nêgo não esqueceria”. Naquele dia, o Clube Atlético Juventus, da capital, com seu time de profissionais, com Mão de Onça no gol, Lanza, Luizinho, Clóvis, Carbone ( todos jogadores que eram do Corinthians” e outros. Chegou estar até ganhando do Atlético por 2×0 , que reagiu com um gol de falta cobrada por Clóvis de fora da área. Um foguete, que Mão de Onça até hoje não sabe por onde passou. Depois o Atlético continuou pressionando e Jair, depois de um passe do Zéca, acertou um dos chutes mais espetaculares da sua carreira, fazendo a bola entrar no ângulo. Seria então o gol de empate. Mas o juiz que já ia indo para o meio de campo viu o bandeirinha no seu lugar agitando a bandeira para chamar sua atenção. Voltou e anulou o gol, marcando um impedimento, não se sabe de quem e, pior, marcado pelo bandeirinha, que era mairinquense: o Nêgo, que, evidentemente, recebeu a maior vaia da sua vida. O Juventus, depois disso, acabou marcando mais um gol e venceu o jogo por 3×1. E o Nêgo teve que desaparecer de Mairinque por mais de um mês. (contada e registrada por Pedro Natal).
9. Um domingo veio jogar em Mairinque a equipe do América, de Itapevi, e o Bié, como era de costume, carregava uma quantidade enorme de sacolas, onde guardava os pertences de seus jogadores. Eu estava ao seu lado, assistindo ao jogo, atrás do gol que ficava paralelo à Rua Elias Sodré, quando o CASM marcou um gol. Rapidamente o Bié arrancou de uma das sacolas um rojão e com um fósforo acendeu o mesmo, no exato instante em que o árbitro anulou o gol. O reflexo do Bié foi imediato, procurando apagar o fogo que se alastrava pela pólvora com um forte sopro, quando alguém, percebendo que o mesmo iria estourar em seu rosto, deu-lhe um forte empurrão, com o rojão estourando então perto de nossos pés. (relatado no livro Águias Negras pelo Pelica).
10. Numa partida decisiva do Campeonato de Futebol de Salão, o Cruzeirão, realizado em Sorocaba, quando o CASM ficou em quarto lugar, com o jogo ficando para ser decidido nos pênaltis, o Milton Sêco, goleiro, fazendo uma preleção aos seus companheiros, garantiu que pegaria dois pênaltis, deixando a responsabilidade da vitória para os demais jogadores. Pois não é que ele pegou mesmo dois pênaltis e só não ganhamos o jogo porque os atacantes perderam três cobranças, chutando três bolas para fora. ( contado pelos demais jogadores da equipe).
11. Eu consegui marcar um dia para fazer um treino na Vila Belmiro, junto com a aquela equipe famosa do Santos, uma verdadeira seleção, onde jogavam Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Peguei um ônibus de São Paulo à Santos e já defronte ao campo da Vila Belmiro, indeciso sobre como deveria proceder, fui abordado por um jovem que também chegava para treinar, e, solícito, me acompanhou até o vestiário. Nesse trajeto ele fez uma brincadeira, me chamando de “ Garrinchinha” talvez por notar alguma característica física em mim que me fizesse parecido com aquele famoso Garrincha.
Entramos no vestiário, ele me apresentou aos demais jogadores, inclusive ao Pelé, que estava deitado sobre uma maca, descansando. Quando o treino começou, fiquei no banco ao lado do técnico Lula e até achei que não faria parte do treinamento, que aparentemente já estava chegando ao fim. Foi quanto o Lula me chamou e pediu para eu ficar na ponta direita, o que fiz. Em poucos minutos fui privilegiado por um passe dado por aquele jovem que eu havia encontrado no portão. Do meio do campo ele fez um lançamento em minha direção. Olhei para a direção da bola, fiquei pensando em matá-la no peito, dar um drible no zagueiro, correr para o fundo do campo, fazer um passe para o Pelé marcar um gol. Quando percebi, já tinha passado a linha demarcatória do campo e já me encontrava próximo ao alambrado. O treino terminou, o Pelé passou por mim, dizendo: “ Foi boa a sua jogada e a sua intenção, Alan”.
Logo pensei, dizem que o cara é um gênio, mas me chamou de Alan, quando no vestiário todos estavam brincando com o apelido de Garrinchinha que aquele jovem havia colocado. Fui em direção ao jovem, no caso, o Clodoaldo, que rindo me disse: “ Não se incomode, ele chama assim todo mundo que corre e para no Alambrado”. ( contado pelo próprio Tibagi)
12)- Num jogo aqui em Mairinque contra uma equipe de São Manuel, no intervalo do primeiro para o segundo tempo o Zé Pompiani pediu para desligarem a água do vestiário do juiz para provocar uma conversa com o mesmo.
Dito e feito! A água foi cortada e o juiz chamou um representante do Atlético para resolver a situação, quando então entraram no vestiário o Zé Pompiani e o Jaburu. Naquela oportunidade o Zé Pompiani apontou para o árbitro dois motivos pelo qual o Clube não poderia perder aquele jogo que estava empatado até então.
O primeiro, argumentou o Zé Pompiani, que o Clube não poderia perder a partida jogando em seu próprio campo diante da sua torcida. Segundo, disse ainda, porque o presidente do São Manuelense era seu primo e ele não queria perder para um parente.
O Juiz achou graça e pediu para algum jogador cair na área que ele apitaria um pênalti, o que então foi passado para os jogadores, que simulassem alguma falta caindo na área do adversário. Nenhum jogador conseguiu fazer isso, o jogo terminou empatado e no final os diretores ainda foram gozados pelo árbitro que dizia em voz alta: “ este time não merece mesmo ganhar porque seus jogadores não sabem cair dentro da área”. ( contado pelo próprio Zé Pompiani).
